Grande reportagem: no tempo das cesarianas

Olá mamãs

Hoje de manhã estive a ver online a reportagem da SIC sobre cesarianas, segundo os dados revelados na reportagem em Portugal da taxa de cesarianas situou-se nos 35,5% em 2013 sendo o terceiro país da europa com a taxa mais elevada. A recomendação da organização mundial de saúde é de que apenas 15% dos partos sejam feitos por cesariana. Apenas a Islândia na europa cumpre este objetivo e os países do norte andam também perto deste valor.

Em 2013 os hospitais públicos apresentavam uma taxa de 30,6% enquanto que os privados tinham taxas de 66%

Não sei se ficaram com a mesma impressão mas a mim pareceu-me uma reportagem um pouco tendenciosa, parecem querer insinar subtilmente que os hospitais privados e os médicos do privado impingem cesarianas!

Eu discordo completamente, no privado a mulher pode escolher o que quer, seja parto normal ou cesariana, com ou sem anestesia, se escolherem não levar anestesia podem mudar de ideias mais tarde e acho que o mais importante de tudo é que não se espera que o bebé entre em sofrimento quando o parto não está a progredir para se fazer uma cesariana. Que já sabemos que isso no público é frequente o que faz com que ficasse um pouco surpreendida pela elevada taxa de cesarianas também no público.

Pelo menos esta é a minha experiência com os hospitais privados, os meus três filhos nasceram num hospital privado, a mais velha nasceu no hospital do SAMS e os outros dois nasceram no Hospital dos Lusíadas, que aparecia na reportagem, bem como o meu médico que é o coordenador de obstetrícia do Hospital dos Lusíadas.

Nasceram os três de parto normal, no primeiro não queria levar epidural por inúmeras coisas que tinha lido mas quando as contrações começaram a ficar mesmo dolorosas pedi a epidural e foi-me administrada na mesma, nunca em momento algum o meu médico tentou que o parto fosse feito de cesariana. Dos mais velhos fui para o hospital quando a bolsa rebentou, a mais velha estava de 37 semanas, o rapaz estava de 38 semanas e a mais nova foi marcada uma indução às 38 semanas porque já desde as 26 semanas que era seguida semanalmente por a bebé não estar a crescer como era suposto.

A minha mais nova esteve até à última semana sentada e chegamos a falar na hipótese de um parto normal mesmo assim, lembro-me do médico até ter achado piada e ter dito que normalmente as pacientes dele pedem a cesariana e não tentam fugir dela a todo o custo como eu estava a fazer!

Eu sinceramente não sei porque a cesariana é tão atrativa, é uma cirurgia e para mim só a ideia de me cortarem a abarriga enquanto eu estou acorda é simplesmente aterradora, por isso para mim a cesariana só mesmo em ultimo caso e por razões medicas muito fortes.

Mas faz-me confusão como é que o aborto é um direito daa mulher e depois uma cesariana já é uma questão de saúde pública!

Muitas mulheres preferem uma cesarina, preferem um parto com hora marcada e é um direito delas, não querem passar por um trabalho de parto longo e doloroso e esse direito deve ser respeitado, assim como deve ser respeitado o direito das mulheres que querem o parto em casa, são opções e devem ser respeitadas sem dramas.

Penso que as mulheres devem ser devidamente informadas pelo respetivo médico quais os riscos inerentes a uma cesarina e depois deixar que seja a mulher a decidir.

Então os riscos de que falam na reportagem são:

  • Risco de grande hemorragia é 11 vezes superior ao do parto normal
  • Risco de lesões urológicas é 30 superior
  • 4 Vezes mais probabilidade de necessitar de transfusão de sangue
  • Os riscos de complicações com a anestesia são 2 vezes mais elevados
  • Após a cesariana o risco de infeção é 11 vezes superior
  • 4 Vezes mais probabilidade de sofrer de tromboembolismo
  • 5vezes superior o risco de morte da mãe
  • As mães têm mais dores

Mas também há riscos para os bebés que nascem de cesariana

O bebé perde a possibilidade de colonização do intestino por bactérias boas por não estar em contato com aas bactérias da mãe como acontece ao bebé que passa pelo canal de parto. Esta primeira colonização só acontece uma vez na vida e mais tarde pode fazer a diferença em certos problemas de saúde.

Algumas consequências possíveis são:

  • Mais cólicas,
  • Mais diarreias,
  • Risco mais elevado de obesidade,
  • Maior risco de diabetes tipo II,
  • Maior risco de algumas perturbações mentais

A cesariana marcada (sem inicio de trabalho de parto natural) pode também dificultar o inicio da amamentação, isto porque:

  • a subida começa a acontecer devido às contrações do útero, se isto não acontece este processo é feito gradualmente pelo bebe então torna-se mais lento e leva mais tempo
  • Pode também alterar a composição do leite por ser interrompido o processo de migração das bactérias boas da mãe para a glândula mamária
  • O bebe fica mais anestesiado devido à anestesia da mãe e isto pode fazer com que tenha uma menor capacidade de sucção nas primeiras horas e dificultar a amamentação imediata.

Podem assistir à reportagem online aqui

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